segunda-feira, 26 de abril de 2010

UM DIA NO MUSEU AFRO BRASIL

Por Mauricio Bernardo

Eu havia reservado este domingo para as minhas atividades complementares. Sai com minha esposa que também precisa fazer atividades complementares para a sua faculdade. Tínhamos vários museus como opção de visitas e custo baixo, foi quando lembramos que o Museu Afro Brasil tem suas portas abertas a visitantes com entrada gratuita. Para lá nos encaminhamos, foi a melhor opção. Para nossa surpresa o museu estava recebendo o seu curador, criador, diretor; o artista plástico Sr. Emanoel Alves de Araujo. Emanoel Araujo é o proprietário de boa parte do acervo. Ele já organizou exposições com a temática afro no mundo inteiro. Uma de suas maiores intenções era ter, em São Paulo, um espaço artístico permanente e aberto a todos para discutir a afrobrasilidade. O Museu Afro Brasil existe desde 2004, quando foi criado, por decreto, pela ex-prefeita Marta Suplicy. Em agosto de 2005 tornou-se uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e deixou de ser administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. O museu tem 11 mil m² e cerca de 4.500 obras expostas. Além do acervo fixo, periodicamente são feitas exposições temporárias com espaço para artistas do mundo inteiro.
Quando entramos no museu temos a imprensão que iremos encontrar apenas peças referente à religiosidade africana. Quando adentramos nas salas outras obras, pinturas, e joias de personalidades de um Brasil de outrora podem serem vistas. As salas são denominadas de acordo com o tema da exposição como: África, Trabalho e Escravidão, O Sagrado e o Profano, Religiosidade Afro-Brasileira, História e Memória e Arte.
O preconceito cultural ainda é uma barreira para se transpor, conta Daniele, a educadora do museu que nos acompanhou. Muitos que aqui vem, pincipalmente escolas, pedem para pular a parte de religiosidade, com receio das reações de alguns estudantes e professores ao passarem pelas vestimentas e adornos usados no candomblé e que fazem parte do acervo. O papel do educador é desconstruir essas coisas que estão na cabeça das pessoas.
Fomos apresentados ao artista plastico que visitava o museu junto com uma comitiva de visitantes estrangeiros e jornalistas. Atencioso e simpático nos incluiu ao seu grupo. Perguntei-lhe quanto ao inicio do museu e quantas obras compunha o acervo inicial.
“Bom no começo, iniciamos com cerca de duas mil obras de minha propriedade. Depois outros artistas foram deixando as suas contribuições. Hoje estamos com mais de quatro mil obras expostas de diversos artistas e algumas de artistas anônimos que foram doadas por colaboradores”.
Emanoel Araujo pediu licença e foi dar atenção ao grupo visitante, enquanto isso nós deleitávamos do ambiente festivo, saboreando os canapés, refrigerantes, champanhes e acarajés feitos na hora pela “Rainha do Acarajé”, como era apresentada a todos, não revelando o seu nome verdadeiro.
Foi uma manhã bem proveitosa, onde tive a oportunidade de conhecer o museu, seu diretor e ainda atuar como jornalista, fazendo uma entrevista com Emanoel Araujo.



Museu Afro Brasil
Rua Pedro Álvares Cabral, s/nº - Pavilhão Manoel da Nóbrega
Parque do Ibirapuera, Portão 10
Horário de funcionamento: das 10h às 17h (o museu não abre às segundas-feiras)
Telefones: 5579-8542 / 5579-7716 / 5579-6399

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