Projeto Cora Garrido, um exemplo de iniciativa a inclusão social.
Por Mauricio Bernardo
Numa sociedade desigual e egoísta, onde uns tem muito, alguns tem pouco, outros tem o mínimo, e muitos não tem nada, encontramos pessoas de iniciativa, que com o mínimo que possui procuram dar melhores condições aos que nada tem.
Garantias ao cidadão
A Constituição Brasileira garante ao cidadão moradia, educação, saúde e lazer dentre outros direitos que lhe são conferidos, porém o que vivemos é outra realidade. Algumas repartições do governo com programas assistenciais mal elaborados deixam a população insatisfeita com suas atuações. Para preencher estas lacunas temos os projetos sociais com iniciativas de acolher moradores de ruas, dependentes químicos e infância abandonada.
Idéia
Foi com esse desejo e amor ao próximo que surgiu o Projeto Cora Garrido. A idéia nasceu em 2005, com uma proposta; atender crianças carentes, pessoas que não tinham condições e moradores de rua. Nilson Garrido na época trabalhava de segurança no vale do Anhagabaú, no pólo de vendas que havia, e presenciava esta realidade que muitos ignoram. Convidou então a senhora Cora Garrido para compartilhar da sua idéia, dividir os objetivos, fazer parte da diretoria, e montar ali uma estrutura oficial, para dar assistência a essas pessoas, passar um pouco de suas experiências de vida, preparando-os para o convívio social. Montou um ringue, e começou atender crianças que ali freqüentavam.
Dr. André Matarazzo apóia o projeto
Mal interpretado pelo poder público, Garrido foi preso. O Dr. André Matarazzo, então secretário de todas as prefeituras, conhecedor dos objetivos e das propostas de trabalho do projeto, prometeu providenciar um espaço para as atividades. Foi oferecido o espaço embaixo do Viaduto do Café, onde em 14 de janeiro de 2006 deu inicio oficial ao projeto.
Serviços prestados
Em três meses foram cadastradas 1800 pessoas consideradas de alto risco social, marginalizadas e abandonadas. Estas pessoas vêm voluntariamente, não são obrigadas, elas buscam socorro. Ali passam por um período de adaptação, relacionamentos com outras pessoas, recebem noções de cidadania e aprendizado social. Aprendem a ter disciplina, obedecer a horário e ter noções de higiene. Depois deste período essas pessoas buscam auxilio dentro do próprio projeto, para voltar às suas cidades de origem, serem reintegrados ao seio da família e serem encaminhados a empregos, tendo assim uma nova oportunidade de viver em sociedade.
Sucesso
O idealismo de Garrido cresceu, despertando atenções da mídia, governo, fotógrafos independentes, faculdades e repórteres do mundo inteiro. No projeto há uma biblioteca, equipamentos de academia esportiva, pista de bicicross, televisores, todos os materiais foram doados por pessoas de boa vontade, porém essas doações chegam em condições precárias e ainda não são suficiente.
Treino, disciplina e sucesso
Garrido é ex-pugilista e procura passar para a juventude os seus conhecimentos e suas experiências no ringue. Crianças que tomam conhecimento do boxe no projeto procuram o professor e dele recebem informações e orientações, principalmente sobre disciplina. O boxe não é para brigar nas ruas, sair dando bordoada em todo mundo. É um esporte de respeito e controle. Os interessados em seguir a carreira de pugilista, recebem gratuitamente aulas e treinamentos e são encaminhados às lutas oficiais. O projeto orgulha-se de ter saído dali campeões, como por exemplo, Fabio Garrido Campeão Brasileiro e Sul Americano na categoria meio pesado e Tri Campeão Paulista pela FPB – Federação Paulista de Boxe e LPBP – Liga Paulista de Boxe Profissional e o mineiro Welson Alves de Oliveira, conhecido como Jack Welson, que conquistou o título de Campeão Mercosul da categoria meio médios. Fábio hoje faz parte do projeto, treinando e preparando os jovens para o futuro no boxe.
Futuras Revelações do Projeto
Outras promessas estão surgindo, é o caso de Rebeca Maria da Silva que gosta de boxe, entrou no projeto e está treinando com afinco e Carlos “Balboa” Miranda, garoto de treze anos que brigou com o pai para poder freqüentar o projeto social.
Concorrência desleal
Iniciativas como o Projeto Cora Garrido merecem não só o nosso respeito e admiração, mas também deveriam ser vistos pelos nossos governantes com olhos de parceiros, que ajudam população carente e marginalizada a serem resgatadas, moral e psicologicamente, dando condições para que vivam dignamente na sociedade. Incentivos e apoios tinham que ser prioridades, por parte dos órgãos públicos, a ações como estas e não concorrer com elas como acontece atualmente. No viaduto Alcântara Machado está sendo construído um complexo com quadras e pistas para skates e bicicross, ao lado do Projeto Cora Garrido, em parte do espaço a ele cedido, quando na realidade a prefeitura deveria dar apoio e recursos para melhorar a infra-estrutura do projeto.
Perseverança
Firmes nos seus ideais em recuperar, orientar e encaminhar uma população carente e esquecida pelas autoridades, Nilson Garrido, considerado como o Louco do Viaduto, Cora Garrido e Fabio Garrido, lutam com garra, usando o esporte como meio de atração e motivação para a inclusão social, oferecendo a ela condições para uma vida íntegra e sem medos.