Resenha do filme
O INFORMANTE
Produção – EUA 1999
Direção – Michael Mann
Elenco:
Al Pacino, Russell Crowe, Christopher Plummer, Diane Venora , Philip Baker Hall, Lindsay Crouse, Debi Mazar, Colm Feore, Bruce McGill, Gina Gershon
Por Mauricio Bernardo
É um filme baseado em fatos reais sobre os danos do cigarro aos fumantes.Ele conta a história de Lowell Bergman, produtor do programa 60 minutes da rede televisão CBS, e do cientista Jeffrey Wigand, ex-pesquisador da empresa de tabaco Brown & Williamson. Na década de 90, os cigarros estavam na moda e as grandes marcas investiam muito em propagandas nos cinemas. Naquela época se estudavam os malefícios que a nicotina causava nos fumante. Mas o que se denuncia no filme não é a dependência do cigarro, e sim a manipulação da indústria de tabaco garantindo essa dependência, para manter um bom número de clientes.
Em 1993, Jeffrey Wigand, cientista e alto executivo da Brown & Williamson é demitido do emprego. Ao se despedir ele faz um pacto de sigilo, que o proíbe de revelar os segredos do seu ramo. Essas informações são preciosas para a saúde pública, mas também muito valiosas para este setor industrial. Entra em cena Lowell Bergman, produtor do programa “60 Minutes” da CBS.
Ao contrário do que mostra em Todos os Homens do Presidente, Bergman não o respaldo necessário, do produtor executivo do programa Don Hewitt, nem do âncora Mike Wallace. Como eu já tinha comentado em Todos os Homens do Presidente, os profissionais da comunicação são impedidos de exercerem suas funções, honrando o compromisso com a ética e a verdade por inúmeros motivos, inclusive a filosofia da empresa jornalística para a qual trabalha. Foi o que aconteceu com Bergman, porém ele não se cala e começa a denunciar também a CBS por não querer mostrar a verdade ao seu público, com medo das ameaças da indústria de tabaco.
Novamente encontramos nesta trama a figura importante da fonte. Em Todos os Homens do Presidente eu destaquei a relação de confiança entre o jornalista e sua fonte. A confiança é essencial e indispensável na relação entre fonte, jornalista e empresa. Toda produção jornalística tem sua fonte, onde o jornalista bebe a mais pura água. É essa água pura, transparente e confiável, que dá qualidade e veracidade, em prol da credibilidade de sua matéria.
Com muita luta e garra, Bergman consegue entrevistar Wigand em seu programa, denunciando como a indústria do tabaco manipulava os componentes do cigarro. Após a entrevista Bergman se demite da CBS, pois como jornalista compromissado com a ética e a verdade, não aceitava trabalhar aos moldes da empresa, principalmente não dando segurança à fonte de transmitir os seus depoimentos.
Casos como o exibido no filme O Informante, onde o poder capitalista tenta calar a boca da imprensa, e o caso da censura ao jornal O ESTADO DE S. PAULO, levam-me a questionar sobre a liberdade de imprensa e o direito da sociedade de ser bem informada.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
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